domingo, 24 de abril de 2011

À descoberta no Seixal

À descoberta no Seixal
17 de Abril de 2011


O Seixal 
O Rio Tejo moldou a paisagem do concelho do Seixal e ao longo dos anos tem sido um factor determinante para o enraizamento das populações, dos seus modos de vida e das suas actividades sócio-económicas.
Apesar de existirem vestígios de presença humana na região desde a Pré História, datam da época romana os mais importantes. Os vestígios e materiais aqui encontrados – fornos, peças de cerâmica para uso doméstico e comercial, pesos de rede, moedas – demonstram a importância de toda esta região ao nível do abastecimento e escoamento para outros locais, de diversos produtos – cereais, peixe fresco e conservas, vinho, azeite e sal.
Muito provavelmente a cidade do Seixal terá tido origem num pequeno núcleo de pescadores e o seu nome poderá estar associado à grande quantidade de seixos nas praias ribeirinhas que seriam utilizados como lastro nas embarcações.
No Século XV o Seixal era ainda um pequeno lugar pertencendo à Arrentela e habitado por pescadores, marinheiros, moleiros, calafates, carpinteiros de machado e construtores navais. Mas, sendo mais acessível por ficar mais perto da capital, depressa se começou a desenvolver.
Nesta altura, estava já bastante desenvolvida na região a industria vitivinícola, ocupando grandes áreas.
Em 1514, na sua "Exortação da Guerra", Gil Vicente menciona o Seixal e a Arrentela como locais de conhecimento obrigatório, e a qualidade dos seus vinhos já tão famosa que, em 1522, o mesmo autor os refere no "Pranto de Maria Parda" – "Item me levarão mais um grã círio Pascoal ao glorioso Seixal senhor de outros seixais: sete missas me dirão e os cáliz encherão, não me digam missa seca: porque a dor da enxaqueca me fez esta devoção.”, sendo também exaltados por Gaspar Frutuoso "É d’além Tejo, a vila do Seixal, onde há os melhores vinhos do reino…", e por Garcia Resende "Quem ouro, prata, cobre, vermelhão, querem coral. Azougue também lá val Quem tem vinho não vem pobre, se é de Almada ou do Seixal: Não vendem nada alguns meses, Té que vão os portugueses."
D. Brites Pereira sobrinha de D. Nuno Álvares Pereira doou a Quinta da trindade à Ordem da Santíssima Trindade (origem do seu nome), que também fundou no mesmo espaço uma Ermida denominada de Nª Sra. da Boa Viagem.
Posteriormente é comprada pelo conselheiro Joaquim Inácio de Lima.
Com o terramoto de 1755 não só a ermida mas também o convento ficaram destruídos. A reconstrução do edifício apalaçado ficou a cargo de Martins de Coina (alcunhado de Rei do Lixo), que para além do edifício construiu um outro mais pequeno de planta quadrada rematado por merlões assemelhando-se a um pequeno castelo.
No interior do edifício, bem como no exterior (nos muros que o cercam), podemos encontrar restos de azulejos figurativos e geométricos e estatuetas de conventos, mosteiros e igrejas que ficaram abandonados após a extinção das Ordens Religiosas em 1834, e que habilmente foram recolhidas por Martins, que depois aqui os veio aplicar.
Ao percorrer os dois andares do edifício principal da Quinta da Trindade obtém-se uma panorâmica geral de história do azulejo em Portugal, visto existirem exemplares representativos dos mais diversos géneros e tendências decorativas.
Escreve Pinho Leal em “Portugal Antigo e Moderno”, sobre o Seixal: « Consta que visitando o rei D. Manuel esta povoação, quando foi ver a Coina a Ribeira das Naus, mandou que se chamasse Vila Nova do Seixal, e que desde então é que tem a categoria de vila. Disto existiu ainda há poucos anos uma inscrição, gravada em pedra, sobre a verga de uma porta, na rua do Paço.
Esta pedra, serve de pilar de uma chaminé, das casas do Sr. José dos Anjos, no largo do Estaleiro.»
Torna-se assim lógico que os grandes navegadores vivessem na sua Quinta do Grou, e aí recebessem D. Manuel e daí acompanhassem de perto a construção dos navios em que haviam de seguir para o desconhecido e para a glória."
No início do séc. XVI, a população rondava as três dezenas de fogos e no princípio do séc. XVIII, o número de habitantes ascendia às 400 pessoas.
Seguindo as antigas vias romanas, esta zona continuava ponto de passagem a quem vinha do Alentejo por Palmela e Almada, havendo no Seixal também um cais de embarque para Lisboa.
No Seixal é criado em 1733 um hospital, e em 1745 a Irmandade de S. Jesus dos Mareantes.
Na manhã de 1 de Novembro de 1755, dia de Todos-os-Santos o terramoto destruiu quase todos os edifícios do concelho, a subida das águas do Tejo provocou também muitos estragos e vitimas. A população sobrevivente da tragédia refugiou-se no local conhecido por Barrocas do Conde de Vila Nova. O processo de reconstrução do Seixal foi lento. Nos primeiros anos do século XVI o Seixal pertencia à freguesia de Arrentela. Nessa época foi construída a Capela de Nª Sra. da Conceição. O passar do tempo e o crescimento da população tornaram a Capela pequena para as necessidades religiosas da população, pelo que foi solicitada ao Patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida, a necessária licença para construção de um novo templo. A autorização foi dada a 29 de Março de 1726, tendo as obras começado de imediato, sendo lançada a primeira pedra a 26 de Abril. A obra foi rápida uma vez que a Igreja nova foi aberta ao culto a 25 de Dezembro de 1728, no meio de grandes festividades. Os moradores começaram de imediato a requerer o estatuto de Paróquia o que, apesar de alguma contrariedade do pároco de Arrentela, veio a acontecer por provisão do Patriarca dada em 23 de Junho de 1734. A Igreja Matriz foi destruída pelo terramoto de 1755. Durante este período foi usada como Igreja Matriz a Ermida de Nª Sra. da Boa Viagem. A Ermida de Nª Sra. da Conceição foi reedificada rapidamente e em 1756 já aí se celebrou a Semana Santa.
A Igreja matriz só foi concluída em 1762 e a torre sineira foi acabada em 1776. Para além desta reconstrução o templo sofreu várias alterações em 1858 e em 1904. A frontaria de estilo barroco é revestida a azulejos azuis e brancos tal como a torre sineira. O interior é de uma só nave, coberta por tecto de madeira e pinturas de Pereira Cão, datadas de 1904, que representam ao centro a padroeira e lateralmente os bustos de S. Pedro e S. Paulo.
Nas paredes da capela mor, revestidas a estuque imitando mármore, pendem quatro painéis sobre tela de características italianizantes do século XVIII. O retábulo de talha dourada é da mesma época, tal como os retábulos e as imagens dos dois altares laterais.
Desenvolve-se no Seixal, em 1848 o ensino primário. No ano de 1866 é inaugurada a Escola Conde Ferreira.
No sistema de comunicações, é instalada em 1878 a Estação Telégrafo-Postal.
Em 1907 no Seixal foi comemorada a primeira "Festa da Árvore", e também a primeira do género em Portugal.
Em 5 de Outubro de 1910 comemora-se a Implantação da República, nesse ano António Augusto Louro funda o Centro Republicano Seixalense.
Em 1925 foi fundado o Seixal Futebol Clube, que em 1962 ganha a primeira "Taça Ribeiro Reis" e, no ano seguinte, sobe à 1ª Divisão Nacional.
Na imprensa são criados vários jornais, após o primeiro, o "Sul do Tejo", em 1901, são criados outros, em 1902 "O Seixalense", em 1913 o "Correio do Seixal", em 1927 a "Voz do Seixal" e em 1950 a "Tribuna do Povo".
A "Associação dos Pescadores do Seixal do Alto Mar" fundada em 1896, teve em 1902 a sua sede "Casa dos Pescadores", actualmente como "Associação Náutica do Seixal" fundada em 1981.
Em 17 de Outubro de 1914 foi fundada a delegação da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha, e em 1961 a Santa Casa da Misericórdia do Seixal.
Nos finais do século XIX aparece o primeiro vapor, o "Palhetas", da Parceria dos Vapores Lisbonenses, ligando o Seixal a Lisboa.
Os Caminhos-de-ferro inaugurados em Portugal em 1856, surgem na Freguesia do Seixal em 29 de Julho de 1923, com a inauguração do ramal Barreiro-Seixal.
Em 1917, duas firmas de seca de bacalhau nascem na Ponta dos Corvos, a Sociedade Nacional de Pesca e a Parceria Geral de Pescarias, seguindo outras a partir dos anos 40.
A última e a maior, a Companhia de Pesca Atlântica, aqui estabelecida em 1947, só encerrou em inícios dos anos 90.
A organização administrativa e territorial do Seixal sofreu várias alterações ao longo dos tempos. Assim, na época de Quinhentos, o povoado do Seixal fazia parte da freguesia de Arrentela, estando incluído no termo de Almada. Só após a Revolução Liberal, na sequência da reforma administrativa de 1836 (reinado de D. Maria II), é que viria a ganhar direitos de concelho. Contudo, em 26 de Setembro 1895 viria a ser extinto. A freguesia de Amora foi então integrada no concelho de Almada e as de Arrentela, Aldeia de Paio Pires e Seixal no concelho do Barreiro.
Três anos mais tarde, em 13 de Janeiro de 1898,o concelho do Seixal foi de novo instituído, passando também a abranger a freguesia de Corroios criada em 1976. As alterações de estatuto administrativo acompanharam a evolução e desenvolvimento das povoações.
Em 27 de Maio de 1993 é criada a Freguesia de Fernão Ferro, resultante da subdivisão da antiga freguesia de Arrentela. Em 20 de Maio do mesmo ano, as vilas de Seixal e Amora adquirem o estatuto de cidade e Corroios o de vila.
Em 1927 deu-se a passagem do Concelho do Seixal do distrito de Lisboa para o de Setúbal.
Devido ao aparecimento da cólera-morbo, que provocou centenas de vítimas foi construído em 1833 o primeiro cemitério do Seixal.
Em 1873 foi criado o Montepio de Socorros Mútuos das Classes Piscatórias e Artísticas da Vila do Seixal.
A partir da segunda metade do séc. XIX, começou a registar-se um significativo surto de desenvolvimento económico industrial, com a instalação de diversas unidades fabris. Ficaram conhecidas as corticeiras "Mundet" (1906) e "Wincander" (1913).
As actividades económicas como a agricultura, a pesca, a moagem e a construção e reparação naval tiveram uma grande importância até meados do século XX.
Em 1906, estabeleceu-se no Seixal a firma L. Mundet & Sons. Esta fábrica, que se tornaria a maior empresa do sector corticeiro do País e durante algum tempo do Mundo, reconhecida também pelo seu papel inovador na área da política social, viria a partir de meados da década de 1950, fruto do aparecimento de novos materiais como o plástico, a entrar num lento processo de decadência. Em 1988, após um longo período de lutas sociais e de várias tentativas de viabilização económica da fábrica, é definitivamente encerrada.
Em 1996, é adquirida pela Câmara Municipal do Seixal. A Mundet apresenta-se hoje como um lugar carregado de história e de vida de algumas gerações de Seixalenses.

Festas e Manifestações Religiosas e Populares
O Concelho do Seixal possui um vasto programa de actividades anuais, nas quais se integram também as Festas Populares, sendo as de S. Pedro as mais apreciadas pelos Seixalenses que precisamente nesta data comemoram o feriado municipal.
O vereador José Inácio Policarpo Alves Ferreira propôs à Câmara que deliberou por unanimidade em 28 de Junho de 1962 a realização do feriado anual concelhio a 29 de Junho. No entanto só em 1969 este começou a ser comemorado.
Esta proposta veio no seguimento das largas tradições da realização dos festejos a S. Pedro – Padroeiro dos Pescadores.
Desde 1736, um século antes da criação do concelho, que teve lugar no reinado de D. Maria II tem-se realizado todos os anos as Festas de S. Pedro, primitivamente só a 29 de Junho e depois nos três dias que antecedem aquele e mais tarde começou a anteceder uma semana este dia.
Estas Festas são veneradas por todos sejam ricos ou pobres, novos ou velhos, é uma festa de todos e para todos. Longe vão os tempos em que de Lisboa acorriam às centenas os visitantes que elegeram estes os maiores festejos da margem sul. Destacavam-se os arraiais populares, as provas desportivas (natação e futebol), os concertos pelas bandas filarmónicas locais, a actuação de ranchos folclóricos e exposições de índole diversa.
Esta festa que se perdeu no tempo continua a trazer até nós muitos visitantes, especialmente os filhos da terra ausentes no estrangeiro que vêm especialmente nesta ocasião visitar os entes queridos e festejarem também aquele que é e sempre será o seu padroeiro.

Marcha das Canas
Na madrugada que antecede o dia 29 de Junho (Dia de S. Pedro) é tradição realizar-se no Seixal um baile popular que culmina com a Marcha das Canas. Ao nascer do Sol os resistentes da noite partem de toalha branca ao ombro acompanhados de uma charanga improvisada com músicos da terra que sempre existiram em grande número até à Quinta Grande, local onde todos os participantes lavavam a cara e depois voltavam com uma cana hasteavam a toalha e regressavam cantando de harmonia com a letra e música.
Esta marcha era um ritual de todos os Seixalenses que a ela aderiam e não faltavam à sua partida pelas 7.00 da manhã do referido dia.
Desde 1970 já não se vai lavar a cara à Quinta Grande mas sim ao Bairro Manuel André junto à Colectividade Portugal Cultura e Recreio, no entanto a tradição mantém-se e ainda permanece a célebre marcha das canas que normalmente é composta por um filho da terra.
Em 1982 o Concelho teve a sua primeira estátua alusiva ao 25 de Abril de 1974, situada na Praça 1º de Maio – Seixal.
Em 28 de Outubro de 1977 foi criada a Associação dos Bombeiros Voluntários do Concelho do Seixal, inicialmente no Largo dos Restauradores e agora na Alameda dos Bombeiros Voluntários – Seixal.
Em Junho de 1997 foi inaugurado um moderno terminal fluvial, melhorando as ligações com a capital.
Em 26 de Novembro de 1993 é inaugurado o Fórum Cultural do Seixal, onde se encontram o "Auditório Municipal", a "Biblioteca Municipal" e a "Galeria de Exposições Augusto Cabrita".



No dia 17 de Abril de 2011 A Natureza ensina desafiou a “Descobrir o Seixal” com a realização de um Peddy Papper na Freguesia.













































A antiga Fábrica da MUNDET

Depois do almoço, o destino é a fábrica de cortiça Mundet que integra um dos sete núcleos museológicos do Ecomuseu do Seixal. Quando, em 1905, se estabeleceu no Seixal a firma L. Mundet & Sons, o sector corticeiro na margem sul do Tejo ganhou uma notoriedade internacional, chegando a ser considerada a maior produtora de transformadores de cortiça do mundo. Especializou-se sobretudo no fabrico de papel de cortiça, para filtros de cigarro, cartões de visita e materiais de representação. Noventa anos depois foi adquirida pela autarquia e integrada no ecomuseu do Seixal.

A visita a este complexo fabril construído segundo os preceitos filantrópicos da época leva-nos a conhecer os processos de produção da cortiça, com a demonstração de alguns exemplos acabados daquela matéria-prima.












Quinta  da Fidalda

Antiga quinta de recreio, em tempos pertencente à família de Vasco da Gama, é um excelente exemplar de jardim histórico do concelho do Seixal. Na quinta, para além dos pomares, jardins e mata, destaca-se um notável ex-libris - o lago de marés ou viveiro de peixes de água salgada.






















Obrigado a todos os que participaram, à Junta de Freguesia do Seixal e Posto de Turismo!

A Natureza ensina.

3 comentários:

  1. Olá Sofia!
    Venho agradecer a sua simpática visita e palavras de apreço; impossível dizer que não gostei, adorei.
    É bom dizerem-nos que o nosso trabalho é muito interessante.
    Fico feliz por ter gostado de ler os meus artigos.
    Também eu gostei e muito de ter descoberto este Blog, cheio de notícias das actividades da Associação.
    Muitos Parabéns.
    Um beijinho.
    Ester

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  2. SOFIA

    TENHO SAUDADES DE OUTRO DIA COMO ESTE.

    Bjs meus.

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  3. Exposição agendada para
    Estação do Cais do Sodré (Interior)
    entre 01/06/2011 a 30/06/2011, das 24h de Segunda a Domingo.

    Morada: Cais do Sodré, Lisboa.
    autocarros: 1-6-35-40-43-44-45-58-82-107-91(aero-bus)
    metro cais do sodre,
    barco cacilhas/cais do sodre, comboio: linha de cascais

    TEMA DA EXPOSIÇÃO
    “Lisboa Antiga”

    Lisboa antiga através do olhar do Fotógrafo Eduardo Gageiro


    BIOGRAFIA

    Foi o fotógrafo português que deu a conhecer ao mundo os acontecimentos dos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique. A registar momentos marcantes da Revolução de 25 de Abril, como aquele em que, na sede da PIDE, um soldado retira a fotografia de Salazar.

    Um dos melhores fotógrafos portugueses de sempre.

    Eduardo Gageiro já recebeu mais de 300 prémios em todo o mundo.

    Apesar de adepto da modernidade, não dispensa o rolo para preto-e-branco e o cheiro do laboratório.

    Aprecia paisagens mas gosta, sobretudo, de captar pessoas, o seu olhar e a sua alma.

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